A Estação de Tratamento de Esgotos Sanitários de Araraquara (ETE – Araraquara), que entrou operação em 1999, atualmente, faz o tratamento de 100% dos esgotos sanitários coletados no município, operando com uma vazão média de 700 litros/segundos, chegando a 1.200 litros/segundos em período de chuvas intensas.

A ETE – Araraquara funciona com um sistema de tratamento primário constituído por gradeamento, peneiramento e caixas para a remoção de areia. Já o sistema secundário (tratamento biológico) conta com duas lagoas aeradas, com 16 aeradores cada uma, com potência de 40 CV responsáveis pelo fornecimento do oxigênio necessário para que bactérias aeróbias promovam a degradação biológica da matéria orgânica. O lodo resultante desta degradação é então encaminhado para duas lagoas de sedimentação. A partir daí, completa-se o tratamento dos esgotos, que são lançados tratados no Ribeirão das Cruzes, afluente do Rio de Jacaré-Guaçu.

Desde sua implantação, a ETE – Araraquara já operava com eficiência de até 85%, devido ao sistema adotado quando da sua construção. Convém frisar que a eficiência mínima fixada por Resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é de 60% para o Brasil, enquanto que a CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), fixa esta eficiência em 80% para o estado de São Paulo.

Em 2008, mediante a apresentação de projetos do então prefeito Edinho, o Daae (Departamento Autônomo de Água e Esgoto) foi contemplado com verba de R$ 16 milhões no Projeto para Aceleração do Crescimento (PAC). Parte desta verba, aproximadamente R$ 6 milhões, foi destinada
para implantação de um sistema de tratamento e secagem dos lodos provenientes das lagoas de sedimentação. Porém, na administração anterior, o projeto de tratamento e secagem de lodos sofreu algumas modificações e foi implantado no final de 2011.

Devido ao elevado custo operacional, entre outras dificuldades técnicas e financeiras, principalmente com o custo do gás butano, combustível utilizado para a secagem dos lodos, o projeto foi interrompido em 2014. A partir daí, não foram mais aplicados recursos para a melhoria da operação da ETE – Araraquara.

Desta forma, houve um aumento considerável no acúmulo de lodos, tanto nas lagoas de sedimentação, quanto nas lagoas de aeração afetando seriamente o funcionamento dos aeradores. Isso causou a queda de eficiência no tratamento, que hoje, se situa entre 60 e 70%.

Diante deste quadro, encontrado pela atual administração em Janeiro de 2017, o Daae entrou em contato com especialistas na área de tratamento de efluentes sanitários visando contratar a realização de estudos para encontrar alternativas viáveis para recuperar a eficiência no tratamento de esgotos.

O Estudos de Diagnósticos da ETE Araraquara realizado pela Empresa Saneamento.com Serviços de Engenharia S/S Ltda – EPP para avaliar as condições operacionais atuais e propor alternativas para ampliação e reforma foi concluído com valor de R$ 191 mil. Neste estudo, foi apontada a melhor alternativa para o sistema de tratamento existente para atender o aumento populacional, até o ano de 2038.

O estudo indicou melhorar o sistema de concepção existente sem excluí-lo por completo, visto que este não é o interesse da Autarquia em virtude dos investimentos públicos que foram aplicados neste projeto e, sim apenas melhorá-lo com técnicas modernas que estão sendo utilizadas atualmente, visto que a estação tem 20 anos.

Vale frisar que com a desativação do sistema de remoção e secagem do lodo, ocorrida em 2015, houve um aumento considerável no acúmulo de lodos das lagoas de sedimentação. Com isso, a atual administração, no mês de março de 2017, apresentou ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) o projeto para a retirada e destinação do lodo do tratamento secundário da ETE. O projeto foi aprovado e receberá, a fundo perdido, recursos na ordem de R$ 1,5 milhões de reais e R$ 500 mil de contrapartida do Daae.

A verba está disponibilizada ao Daae e está sendo elaborado o termo de referência para abertura de licitação, com prazo de contratação do serviço, até março de 2019. O projeto consiste na remoção de 40 mil m3 de lodo de cada lagoa de sedimentação. Para remoção de todo o lodo acumulado, será necessário o valor de R$ 8 milhões, para a remoção total do lodo das lagoas de sedimentação.

Sobre a eficiência mínima da remoção de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO de 5 dias a 20º C), fixada pela Resolução 430/2011, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), esta é, por sua vez, fixada em 60% para o Brasil, enquanto que o Decreto Estadual 8.468/1976, fixa esta eficiência em 80%, para o Estado de São Paulo. A média de remoção de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), ou seja, a eficiência de remoção de matéria orgânica, no ano de 2017, na ETE Araraquara, está em torno de 70%, devido as melhorias realizadas. Diante do quadro em que se encontrava a estação, há um longo e difícil caminho a percorrer, para que ela volte a operar com a eficiência desejada.

Atualmente, existe um Inquérito Civil, instaurado pela Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, desde março de 2017, por conta de uma fiscalização da Cetesb, órgão ambiental estadual, noticiando que o Departamento não estaria atendendo aos padrões legais mínimos de tratamento dos efluentes, gerando, por consequência danos ambientais em razão da poluição das águas.

Tanto o Daae como a prefeitura de Araraquara estão comprometidos com a elaboração de projetos viáveis e factíveis, bem como com a busca de parcerias e recursos junto às esferas governamentais para que, não somente a ETE, mas outros equipamentos públicos ligados ao saneamento ambiental voltem a operar e oferecer serviços de qualidade à população.

Assessoria de Comunicação, 07 de novembro de 2018

Pin It

Enquete Daae

Como você avalia a coleta e tratamento do esgoto realizado pelo Daae?

facebook

Back to top